20 ferramentas essenciais para autores de romances históricos

Você precisa descrever em detalhes a vida de pessoas que viveram 100, 300, mil anos atrás? O que vestiam e comiam, quais as suas paixões, como tratavam as crianças? O que não falta na web é informação histórica de qualidade para ajudar nessa empreitada.

Quando escrevi a minha primeira ficção histórica, O Ilusionista, descobri vários sites que me ajudaram a descrever o cotidiano no Rio no começo do século XX, mas que também podem ajudar quem estiver escrevendo sobre outros períodos da História e outras partes do mundo.

Estes são os meus sites favoritos – alguns deles brasileiros, mas a maioria é mesmo em inglês. Mas lembre-se: eles são ótimos pontos de partida, mas tente confirmar as informações obtidas em outras fontes, para não acabar construindo uma cena anacrônica.

Espero que essas dicas sirvam de inspiração para vocês!

1 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Um recurso incontornável para quem escreve sobre a vida dos brasileiros do passado. É possível pesquisar arquivos de jornais e diários publicados em várias partes do país desde 1800, buscando por tema, periódico, época e local de circulação.Folhear esses veículos é uma delícia: dá para explorar os classificados, as pequenas ocorrências policiais, a evolução dos gostos, dos costumes e da moralidade. Foi nas páginas do jornal carioca Gazeta de Notícias, que eu descobri uma figura que se tornou o antagonista do meu romance, um delegado que era inimigo jurado do samba, da boêmia e de tudo o que tivesse um toque africano.

2 – Chronicling America – Versão americana da fonte anterior. Reúne jornais digitalizados de 1789 a 1924. Este site foi instrumental para que eu levantasse a história de uma das minhas personagens, a “mulher mais viajada do mundo”.

3 – The National Archives – E esta é a versão do governo britânico, que reúne documentos digitalizados de 2.500 arquivos em toda a Grã-Bretanha. É possível baixar mais de 9 milhões de registros, inclusive testamentos e documentos militares.

4 – Linha do Tempo – Que eventos ocorreram no ano em que a sua história se desenrola? Se digitarmos 1480, por exemplo, vamos ver que é quando Leonardo da Vinci começa a estudar a construção de fortificações, Ivan III, da Rússia, se recusa a pagar tributos aos mongóis, Torquemada se torna o Grande Inquisidor da Espanha, e quando há um aumento do comércio na região central do Saara.

5 – Calendário universal –  Será que o seu personagem poderia ter ido à missa dominical em 27 de abril de 1203? Sim, ele poderia, se tivesse tal inclinação espiritual. Este site calcula o dia da semana em que determinada data caiu. Mas lembre que, por ser em inglês, você deve indicar primeiro o mês, depois o dia, depois o ano em questão.

6 – Fases da lua – Mas quem se importa se a cena romântica aconteceu na terça ou no sábado? O que importa é descobrir se naquela data havia lua cheia.

7 – História dos meios de transporte no Brasil – A sua heroína chegou à casa do amante num tílburi, numa berlinda ou numa liteira? Esta página do Museu Histórico Nacional pode ajudar a decidir.

8 – The Costumer’s Manifesto Wiki – Este é um enorme levantamento de referências da moda (masculina, feminina, sapatos, acessórios, maquiagem, cabelo) desde os primórdios da Humanidade. Apesar de parecer árida e exigir vários cliques, é uma página indispensável se você não quer que o seu personagem circule em pelo. Veja, por exemplo, como se vestiam os bárbaros europeus, senhoritas eduardiana, judias polonesas do século XVII ou uma negra da Renascença do Harlem, nos anos 30. Eu também encontrei ótimas inspirações no Pinterest, como este maiô do Metropolitan Museum, de Nova York, que inspirou o traje de Olga, a beldade texana que vai a uma casa de banhos numa praia que já não existe mais no centro do Rio.

9 – Google Maps – Os meus personagens se deslocam da Urca para o Centro do Rio e de lá para a região do porto ou o Cemitério dos Estrangeiros. Quanto tempo eles levariam nesses trajetos num tílburi de aluguel? E se estivessem a pé? Graças ao Google Maps, ficou fácil fazer tais cálculos.

10 –Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – A incrível coleção de obras raras desse casal de bibliófilos foi doada à Universidade de São Paulo, que acaba de digitalizá-la. São 3 mil livros, dentre eles o testemunho do alemão Hans Staden, do século XVI. Uma fonte inesgotável de inspiração para quem escreve sobre a história do Brasil.

Hans Staden. Warhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der Wilden

11 – Youtube – Como era a música nos tempos vividos pelos seus personagens? Vá procurar no Youtube. Ali descobri, por exemplo, um dos grande sucessos de 1908, “Preta Mina”, de Xisto Bahia.

Foi ali também que eu encontrei detalhes da arquitetura do maravilhoso Pavilhão Mourisco, que ficava no Botafogo até ser derrubado, em 1952.

12 – Google Books – Outra fonte indispensável para quem faz ficção histórica. Ele permite consultar o conteúdo de milhões de livros escaneados pela Google e seus parceiros. Como alternativa, dê uma pesquisada nos 38 mil livros eletrônicos do Projeto Gutenberg.

13 – Google Scholar – Instrumento que permite fazer uma varredura em documentos acadêmicos sobre o tema de seu interesse. Oferece a opção de se procurar apenas documentos em português.

14 – Microsoft Academic – Ferramenta similar à anterior, mas limitada ao período posterior a 1992. Dê também uma olhada neste artigo do site de arquitetura Archdaly, uma listagem de websites que facilitam a pesquisa acadêmica.

15 – Google Books Ngram Viewer – Outro recurso incrível, mas pouco conhecido. Ele verifica quando o tema de seu interesse começou a aparecer na literatura. No gráfico abaixo, pode-se ver quando Albert Einstein, Frankenstein e Sherlock Holmes começaram a ser mencionados e a evolução do interesse por eles. Muito útil para quem ter que verificar se um determinado assunto era difundido no período coberto por seu romance. Infelizmente, o serviço ainda não cobre a língua portuguesa, mas uma dezena de outras já são contempladas, inclusive o inglês, o francês, o espanhol e o alemão.

16 – História mundial – A bibliotecária da Universidade do Delaware, nos EUA, fez uma lista interessante dos melhores sites agregadores de documentos de história. Dentre eles, o Diotima, que mapeia a vida das mulheres na Antiguidade, e o Aluka, uma biblioteca digital de estudos acadêmicos sobre história africana.

17 – Títulos nobiliárquicos ingleses – Esta é uma grande dica para quem gosta de escrever romances à Jane Austen. Qual a hierarquia da nobreza? Como eles são chamados pelos mais íntimos? E como são chamados em sociedade? Ao falar com o duque, deve-se dizer Sua Graça ou Senhor Duque? E que raios seria um Honorável fulano? Esta página explica. Como bônus, dê uma olhada neste site sobre castelos e outros lugares de relevância histórica da Grã-Bretanha.

18 – Todos os castelos do mundo – Uma fonte ótima para quem sonha em escrever uma história de cavaleiros andantes e princesas indefesas. Uma listagem de todos os castelos distribuídos pelo mundo, do Afeganistão a Cuba.

19 – Piratas! – Se o seu negócio é escrever sobre velhos lobos do mar, este será o seu site de cabeceira. Explore os diferentes tipos de navios, as biografias de corsários e piratas, uma lista de terminologia náutica e muito mais.

20- – Guia de namoros na Era Vitoriana – Para acabar com chave de ouro, aprenda a flertar com um cavalheiro vitoriano. Quais as regras de etiqueta para se abordar um pretê de antanho?

Espero que essas dicas possam ser úteis para vocês. Se tiverem outras sugestões, por favor, deixem nos comentários. Quem sabe elas não rendem uma nova lista?